segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Pior Livro - A Demanda do Talismã/A Grande Batalha de André Amaral


A rubrica “O pior Livro” tem andado um pouco esquecida, assim como a minha presença na blogosfera, mas enfim, estou cheio de trabalho num novo projecto e não tenho tido muito tempo para me dedicar à leitura e ao blog.

Em todo o caso, convidei um dos bloggers que mais admiro e que sigo com regularidade. Trata-se do Rui Bastos do Blog “Que a Estante nos Caia em Cima”, um dos blogues mais interessantes que sigo.

E para o Rui, o pior livro que leu foi: A Demanda do Talismã/A Grande Batalha de André Amaral
O Pior Livro


"É quase sempre bastante complicado para mim, ter que escrever sobre um livro mau, ou simplesmente sobre um livro que eu não tenha gostado. Faltam-me as palavras porque nem sequer me apetece pensar muito naquilo que li, quanto mais escrever ou falar sobre ele.

Felizmente já li 2 “livros” que só levam esse nome porque têm o formato físico de um livro. Abominações tais que eu já pouco me lembro do que li, e ainda bem! Falo de “A Demanda do Talismã” e da sua espectacularmente horrível continuação, “A Grande Batalha”, ambos escritos por André Amaral, com os seus 13 anos.

Para terem uma ideia de quão maus são estes livros, eu quando acabei de ler o segundo, e depois de ter lutado contra um colapso mental induzido pela atrocidade que tinha cometido ao terminar ambos os livros, pesquisei o nome do autor e descobri que aquela porcaria era suposto ser uma trilogia. Qual foi a minha reacção? OH MEU DEUS O HORROR TENHO QUE EVITAR ISSO OH MEU DEUS OH MEU DEUS O MUNDO DEPENDE DE MIM. É verdade.

Assim em traços muitos gerais, para também não vos ferir demasiado a sensibilidade, a história é das coisas mais genéricas e pouco originais de sempre: há um talismã que mantém o mundo vivo e de boa saúde; o talismã é roubado; faz-se uma profecia; há uma demanda; no livro a seguir o grande vilão foi… preso; há uma batalha; nem sei, é demasiado parvo.

Isto também mete dragões, elfos, fadas, centauros, feiticeiros, magia, espadas, porrada, piratas, toda uma miríade de coisas que foram lá postas de forma quase aleatória. Ao ler estes livros, o que não aconselho de todo, é fácil ver as “inspirações”, de Tolkien a Eragon (que já é fortemente “inspirado” em obras anteriores), há de tudo um pouco. E absolutamente nada se aproveita! Não é fantástico?

A sério, estes livros são dos poucos que me conseguem levar a sentir raiva e nojo por livros. Já andei a pesquisar, e graças a todos os panteões divinos, acho que o terceiro “livro” desta trilogia não chegou a ser publicado. Espero que nem sequer tenha sido escrito, e que o “menino-prodígio da literatura portuguesa” (http://www.isabelricardo.com/Andre/Andre.htm) se tenha dedicado à pesca.

Mas talvez queiram um exemplo mais concreto que justifique todo este ódio genuíno que sinto por estes “livros”. Pois bem, não precisam de esperar mais. Ao longo das páginas, sabem o que é que acontece quando uma personagem se ri?

- Ah ah ah ah!

Sim. Isto é verídico. Eu li isto, infelizmente. Imaginem que eu agora contava uma piada ao Miguel, que tão gentilmente me pediu para participar nesta rubrica (obrigado!), e queria contar-vos que ele se tinha rido. E Miguel riu-se? E o riso de Miguel encheu a divisão virtual e metafórica através da qual trocámos e-mails? Não. Nada disso. Reparem.

- Ah ah ah ah! – riu-se o Miguel. Muito melhor não é verdade? Não estão com ânsias de ler os livros, agora?!

Pois, é perfeitamente compreensível que não. Eu já cheguei ao ponto de dizer “Não leias nada que tenha sido escrito pelo André Amaral.”, quando me perguntaram qual era o melhor conselho literário que eu podia dar. Eu sei que isto pode parecer um pouco exagerado e que o desgraçado do rapaz até pode ter melhorado a escrita e isso tudo, ou que estou a ser demasiado duro mas… Não acredito nisso.

E só para terminar, eu que normalmente sou absolutamente contra a destruição de livros de uma forma geral, bons ou maus, não hesito em dizer que se virem estes à venda algures, façam serviço público e comprem-nos para os destruírem da maneira mais horrível que conseguirem imaginar. O mundo agradece."


Lol. Rui, fizeste-me ganhar a noite com este hilariante texto.
Está demais!
O que acho impressionante é como ainda vais ler o 2º volume. Lol
Obrigado!

5 comentários:

Rui Bastos disse...

Sou um gajo de coragem!

Páginas de inspiração disse...

olá, chamo-me Diana e sigo o blog do RUI e deparei-me com isto. Não sei se hei de ficar traumatizada ou simplesmente desprezar esta minha ideia de agora querer ler os livros para ver realmente isso, e para ver a minha reacção. Partindo do inicio de que se calhar o Rui podesse ter feito um video de reacções enquanto lesse(muito cliché de youtubers), mas bem que fiquei arrepiadinha... Achei este blog bastante interessante e se não se importar deixo aqui link do meu blog caso ache interessante.
Cumprimentos. :)
Diana Silva.
http://paginasdeinspiracao.blogspot.pt/search/label/Devaneios%20da%20minha%20mente.
Espero que aprecie.

Iceman disse...

Coragem ou loucura?
:)

Iceman disse...

Olá Diana,
já estive a dar uma vista de olhos no teu blog e prometo que voltarei.
Olha, pela minha experiência, não os leias, é perder tempo.
;)

Tânia Gomes disse...

Ora agora fiquei para morrer. É que há duas semanas, enquanto esperava pelo comboio, entrei numa livraria e encontrei o livro "A Grande Batalha". Como escritora de fantasia, bem como leitora ávida de fantasia (e digo desde já que adoro Tolkien e o Eragon), achei piada e fiquei curiosa. É que não há muitos escritores de fantasia em Portugal... E o livro estava a um preço ridiculamente baixo. Antes de o começar a ler fui pesquisar sobre o autor. 1ª desilusão - é o segundo de uma saga... o que significa que vou ter que deixar este guardado até comprar o primeiro. 2ª desilusão - autor de 13 anos... ora, sem querer ser preconceituosa... mesmo no caso do Paollini e do seu Eragon, nota-se uma diferença brutal entre o primeiro livro escrito aos 16 e o último. O rapaz evoluiu verdade seja dita... Mas a verdade é que é necessária uma certa maturidade para se escrever um bom livro. 3ª desilusão - encontrei este texto... só para confirmar abri uma página aleatória e li um pouco... e percebo perfeitamente o que é dito aqui. Não vou comentar a história porque não conheço, mas realmente falta algo neste texto... É que um livro não pode ser escrito da mesma maneira que falamos... Mas pronto, o miúdo tinha 13 anos... Agora tenho aqui este livro e não sei que lhe fazer... Se fosse o primeiro ainda o lia, só porque sim... mas a vontade de ir comprar o primeiro não é muita...