quarta-feira, 27 de junho de 2007

Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago

Embora tenha sido o seu romance "Evangelho Segundo J.C." aquele que tanto escandalizou e incomodou tanta gente santa e que tanto imbróglio criou, foi com o "Ensaio sobre a Cegueira" que Saramago mais mexeu com a consciência colectiva, a diferença é que este romance não toca em crenças ou na Madre Igreja (Amém) e, agora, Saramago também já era um escritor consagrado e era certo a asneirola que Lara havia feito quando correu com ele.

Pois quem ler este romance, de certo se sentirá incomodado, pelo menos irá pensar um bocadinho.

Assim e no seu estilo, aliás, no seu melhor estilo, Saramago põe a nu a porcaria que é a nossa sociedade, cheia de invejas, hipocrisias e cinismo, onde nem os políticos são poupados.

Exemplar e genial são as referências que Saramago vai usando ao longo do romance sem que demos conta disso. Apenas sobressaem quando paramos para pensar no alcance da obra e é aí que facilmente identificamos alusões aos campos de concentração nazis, à visão bíblica sobre os cegos conduzindo outros cegos, à obra "Peste" de Eramus e também presente está a obra de Homero "Ilíada" aquando das constantes referências à mulher do médico, pondo-a na pele de Eneias. E é precisamente na figura da mulher do médico que sobressai a grande heroína de Saramago, poderosa cuja identidade com Blimunda ou Maria Madalena é clara e onde Saramago completa o seu trio de heroínas.

Por fim gostaria de referir uma frase de José Leon Machado que caracteriza na perfeição o romance: "O livro marca de tal forma o leitor que difícil será para este livrar-se da visão e do cheiro de tanta miséria e de tanta merda que, no fundo, caracterizam este mundo. Mundo que, para não a ver e para não a cheirar, constrói tapumes de cartão e espalha perfumes à volta".

Ilucidativo!

Memorial do Convento - José Saramago

José Saramago, enquanto pessoa, gera amores e ódios. De uma personalidade irascível, alia a sua experiência de vida ao seu pedantismo o que, com o status adquirido, o torna uma das maiores personalidade do panorama português dos sécs. XX e XXI.

Esse pedantismo a roçar por vezes o exagero, é transportada para a maioria das suas obras, onde e com uma mestria que lhe granjeia invejas, alia o seu dom de contador de estórias à de crítico de toda uma sociedade (fundamentalmente a portuguesa) e também ao da escrita ou, se quisermos, uma construção do texto e da narração inovadora e difícil de acompanhar.

Pessoalmente gosto e muito do Saramago crítico, não me identifico com a sua ideologia política nem compreendo, por vezes, as suas observações, mas e mesmo vivendo em Espanha, não se contenta com o rumo do nosso país e gosto especialmente quando ele resolve arrasar nos seus romances, como são os casos do "Ensaio sobre a cegueira" e "Evangelho segundo J.C.".

No entanto e desta vez, proponho-me opinar sobre o Memorial do Convento que é, quanto a mim, uma das Grandes Obras da literatura portuguesa do séc. XX, um portento de inspiração e de uma beleza artística apenas ao alcance dos Maiores.

Ler Saramago, como anteriormente referi, não é fácil. Porém à medida que começamos a compreender o seu estilo, a leitura torna-se fluída e todo aquele aglomerado de letras, aparentemente sem pontuação, deixa de ter importância, porque a pontuação está lá e o homem tem mesmo jeito para contar estórias.

Quanto ao livro:

Temos duas personagens principais que já correram mundo: Blimunda e Baltasar. Ela "Sete Luas" e ele "Sete Sóis", ela uma mulher que consegue ver os corpos à transparência quando em jejum e ele, um ex-soldado que regressa da guerra sem uma mão e quase sem alma, apenas o seu corpo lhe dá a aparência de ser humano.

Numa época dominada pela inquisição, um padre constrói ume estranho artefacto a que lhe chama Passarola e tenta convencer o rei que aquilo pode voar, esse rei (D. João V) bem tenta que a sua mulher, a rainha D. Maria Josefa, engravide, no entanto "se quiseres um infante, manda construir um convento" diz-lhe um monge e o rei, temente a Deus, faz nascer a principal figura do livro: O Convento de Mafra.

Acompanhamos então toda a construção e ao mesmo tempo as aventuras e desventuras dos personagens antes mencionados, para, no fim, ficarmos estupidificados com a surpresa que Saramago nos guarda. Já li o livro três vezes e fico sempre com um nó na garganta com as páginas finais.

Um livro que já deu uma ópera que e pelo que tenho lido, deve ser arrepiante, pois no fim existe um coro de padecimento e martírios...

Um romance extraordinário!

Bizâncio - Stephen Lawhead

Embora leia de tudo um pouco, os romances históricos são aqueles que fazem as minhas preferências, andando sempre em busca de mais e mais. No entanto não é fácil descobrir os bons escritores deste estilo, pois existem escritores (as) que têm fama e proveito mas, qualidade... escrevem de qualquer maneira, sem rigor literário e histórico.

Stephen Lawhead é daqueles que nasceram para escrever romances históricos!

Embora os seus primeiros livros se situassem na área do fantástico, é, com a obra composta por cinco volumes "Ciclo Pedragon" (Taliesin, Merlin, Artur, Pedragon e Graal) que alcança a celebridade e maturidade literária.

Quanto à obra que me proponho opinar: Bizâncio é um dos melhores romances históricos que já li e, a nível de rigor histórico, um dos mais perfeitos.

A história é contada na primeira pessoa por um monge que vive tranquilamente num mosteiro na Irlanda. Um dia, Aidan (o seu nome) é um dos escolhidos para fazer parte de um grupo que pretende deslocar-se à exótica Bizâncio para presentear o imperador romano com o belo e santo livro de Kells.

A partir desse embarque, excitantes e extraordinárias aventuras Aidan irá passar, uma autêntica odisseia desde as verdejantes colinas da Irlanda aos tenebrosos mares do Atlântico, das águas do Mediterrâneo aos desertos árabes. Dos Celtas aos Vikings, dos Romanos aos Árabes, Aidan colocará em causa a sua própria crença em Deus, conhecerá a tristeza e a alegria, a riqueza e pobreza, enfim, uma odisseia belíssima, brutal, onde conseguimos sentir toda aquela atmosfera desses períodos tão conturbados e bárbaros como dos anos 850 d.C.

Numa escrita viva, fluida, realista, Lawhead dá-nos uma obra fenomenal, historicamente rica, cheia de pormenores deliciosos sobre essas distintas civilizações que dominavam o Mundo. E é extraordinário que num romance longo (755 pág.) Lawhead consegue expor e interligar todos estes povos de uma forma correcta e inteligente.

Aidan mac Cainnech existiu na realidade, o seu túmulo pode ser visto na Capela dos Santos Padres, à sombra da Hagia Sophia em Bizâncio ou Constantinopla, actual Istambul. Esta é a estória da sua odisseia!

Maias (Os) - Eça de Queirós

Para mim é extremamente complicado falar, opinar sobre Eça de Queiróz e sobretudo sobre a sua obra prima "Os Maias" (como subtítulo: "Episódeos da vida romântica"), porque simplesmente por muito que fale, divague ou discuta, são poucas as palavras para exprimir o seu génio e a sua grandeza.

A minha paixão por Eça de Queiróz vem, ao contrário do que se poderia pensar, dos tempos de liceu quando fui obrigado a ler "Os Maias". Afirmo obrigado porque e naquela altura, andava mais interessado em obras de aventuras como "O conde de Monte Cristo" (grande obra), "Ivanhóe" ou aqueles livrecos de terror da colecção "Pêndulo". Bom, o suplício foi de pouca duração porque à 10ª página já eu me tinha apaixonado, sobretudo pela forma de escrita.

Desde essa altura, e já lá vãos uns anitos, já li o livro por mais três vezes, e o fascínio continua a ser o mesmo.

Quanto ao romance: Eça narra as aventuras e desventuras de uma família lisboeta ao longo de três gerações, onde a sociedade da época, com todos os seus defeitos e virtudes, é descrita de uma forma irónica, mordaz e bastante real, pois sabe-se que Eça era um homem profundamente realista, gostava de escrever o que via e sentia de uma forma coerente (pensou inclusivé em descrever a sociedade portuguesa ao longo de 12 romances). Assim, toca nas feridas da sociedade portuguesa da época (??), expondo toda a futilidade, a vaidade, o cinismo, a hipocrisia e o ridículo (tão actual!!)

É igualmente interessante focar a sublime ironia com que Eça narra alguns acontecimentos, nomeadamente uma situação entre o Eusebiozinho e Carlos da Maia ou as situações de João da Ega... soltei gargalhadas profundas.

Por falar em João da Ega, cada vez mais me convenço que Eça serve-se de Ega para se auto-retratar, pois atente-se como ele descreve João da Ega: "O esforço da inteligência (...) terminou por lhe influenciar as maneiras e a fisionomia; e, com a sua figura esgrouviada e seca, os pêlos arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito — tinha alguma coisa de rebelde e de satânico".

A nível do texto literário, a forma como consegue sugerir as formas, as cores, as paisagens ou os cheiros, é simplesmente genial. A forma e a facilidade que descreve comportamentos humanos, onde facilmente nos apercebemos das alegrias, tristezas e do tédio. Recordo-me da descrição de Sintra... é estonteante, um concerto de beleza!

Claro que a história não se resume apenas à história de 3 gerações e dos costumes da sociedade. Mas peço desculpa a quem esperava uma descrição da estória dos "Maias", para mim, a beleza da obra está no que anteriormente referi.

Cada leitor sente o livro à sua maneira, tentei descrever a sensações que ele me provocou, mas e como referi logo de início, é muito difícil para mim opinar sobre esta grandiosa obra, porque tudo o que posso afirmar é pouco para exprimir o que senti.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Noiva Prometida (A) - Bapsi Sidhawa

Bapsi Sidhawa tem aqui a sua estreia no campo da literatura e logo com um texto onde expõe a amargura das tradições patriarcais indianas e paquistanesas, países vizinhos mas tão iguais nas tradições, separados apenas pela vertente religiosa.

E é esse aspecto o primeiro que Sidhawa explora quando aborda, num género de intróito para as situações vindouras, dos terríveis acontecimentos de 1947 quando as terras férteis do Punjabe foram subitamente divididas entre o Paquistão e a índia, provocando uma enorme deslocação de refugiados que iam sendo apanhados em emboscadas que acabavam numa enorme chacina.

É assim que Qasim, homem das montanhas há muito emigrado nas planícies (e existe uma enorme diferença entre aqueles que habitam na montanha e aqueles que são das planícies) adopta uma órfã de 5 anos que encontra perdida após os seus pais terem sido mortos por guerrilheiros.

Inicia-se aí um périplo onde as tradições e mentalidades demonstram que a condição da mulher nesses países é inferior ao de qualquer animal, onde a mesma é negociada e trocada por vacas, ovelhas e dívidas monetárias, onde a honra masculina se lava apenas com sangue, independentemente do grau familiar, homem que toque em mulher alheia… já era.

Num espaço árido e perdido no tempo, no meio de nenhures, sentimos o quanto o ocidente se afastou daquelas mentalidades, o quanto estranho é para nós aquelas tradições que pouco evoluíram desde o paleolítico e é precisamente isso que nos choca, que nos faz pensar que por muitos vícios que o ocidente tenha, sempre é melhor viver no ocidente do que num país ou comunidade onde a humanidade não existe.

A escrita de Sidhawa está carregada de simbolismo numa clara tentativa de gritar ao mundo aqueles estranhos e desconhecidos costumes que escravizam todas as mulheres e as sujeitam aos caprichos dos maridos, sem qualquer apelo nem misericórdia.

domingo, 24 de junho de 2007

Equador - Miguel Sousa Tavares



"Equador" marca a estreia no campo do romance do conhecido jornalista Miguel Sousa Tavares, autor de mais alguns livros de sucesso, mas todos de contos ou crónicas.

Assim, neste seu primeiro romance, por sinal, um romance histórico que obriga sempre o autor a um estudo profundo e exaustivo da época e do meio que aborda (neste caso é muito bem conseguido), Tavares situa-nos em 1905 numa sociedade portuguesa que vive, sem o saber, os últimos dias da monarquia e é dominada por um viver mundano e de aparências, onde a pequena e alta burguesia não faz outra coisa que pavonear-se e falar da vida alheia. um pouco ao estilo do "nosso" Eça.

Tendo este contexto como pano de fundo, surge-nos a personagem principal, o jovem Bernardo Valença, que tendo herdado do seu pai uma quota maioritária num negócio de navegação, vive tranquila e confortavelmente, passeando o seu charme pelos clubes, soirés de S.Carlos e reuniões de amigos onde se discute um pouco de tudo, principalmente política. E é nesta inacção camuflada que o jovem Valença escreve uns artigos de opinião sobre a escravatura que fazem furor no meio intelectual de Lisboa e é precisamente devido a esses artigos que o mesmo recebe um convite do próprio rei D.Carlos para que se desloque a Vila Viçosa, onde e depois de um faustoso almoço, o rei convida-o para ser governador de uma pequena ilha desterrada no fim do mundo, disputada por outras potências marítimas e bastante rica em cacau: S. Tomé e Príncipe.

Da história não vou revelar mais nada porque aí o interesse poderia diminuir, mas posso adiantar que ainda mete amores, interesses sujos, jogos estratégicos, um cônsul inglês e a sua jovem e bela mulher, a cena de sexo mais sensual que alguma vez li (entre outras bem quentes...), enfim, um romance na verdadeira acepção da palavra.

Quanto ao texto literário: Li algures alguém que afirmava que "Equador" estava no mesmo patamar que os "Maias" de Eça. Claro que é um exagero e um pouco herege, mas sem dúvida que faz lembrar um pouco o notável romance de Eça. Vasco Graça Moura diz na edição que possuo "há vinte anos ou mais que eu não devorava um romance português como aconteceu com Equador" e eu afirmo: "tirando o Memorial do Convento, desde o falecimento de Eça que ninguém escrevia uma estória tão cativante como o fez Miguel Sousa Tavares". Exagero? Um pouco, mas a beleza da obra não está propriamente na sua escrita, embora fluída, é simples, eficaz e reflexo da profissão do autor.

A beleza do romance está no ritmo alucinante que imprime, está nas personagens muito bem conseguidas e inesquecíveis, está na forma como trata a mulher (linda de morrer! E expressa a profunda admiração que Tavares tem pelo sexo feminino), da sensualidade e da magia que nos consegue descrever e fazer sentir, dos odores, das sensações.

Um livro admirável, profundamente comovente e de um humanismo que nos deixa estarrecidos num paraíso terrestre.

Sem dúvida um dos melhores livros que li até hoje e, sem ferir suceptibilidades, um dos melhores da literatura portuguesa. Obrigatório mesmo para quem lê 1 livro por ano.
Um romance que devorei em dois dias (relendo muitas partes) e que no fim, me deixou uma sensação de vazio e muitas saudades.

Novos Mistérios de Sintra (Os) - Vários

Um dos factos que marcou, em certa medida, o ano de 2005 no panorama literário português, foi o lançamento de uma obra assinada por sete ilustres escritores(as) da nossa praça que, um pouco à semelhança do feito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão com o seu “Mistério da Estrada de Sintra”, tentavam ou tinham a pretensão de escrever uma história entre eles.

A premissa era simples: juntar um grupo de escritores (José Fanha, José Jorge Letria, João Aguiar, Luísa Beltrão, Mário Zambujal, Rosa Lobato Faria) que se disponibilizassem a colaborar em grupo no sentido de escreverem os novos mistérios de Sintra, sendo que e numa primeira fase existiu uma reunião para se estabelecer que género de história ou mistério se iria criar, depois, cada um escreveria um capítulo, outro continuaria e assim sucessivamente.

Interessante, no mínimo!

A história é, acima de tudo, sobre Sintra e o Palácio da Vila.Sendo uma história de mistério, ou seja, onde começa por acontecer algo de misterioso no palácio, começa por ser engendrado todo um trama rico em pormenores históricos e outros de cariz policial. Obviamente que nos apercebemos de vários estilos de escrita, pois essa acaba também por ser um dos objectivos da obra.

No entanto este é um livro que me decepcionou imenso.

Primeiro porque a coerência da história e a consistência da mesma tem imensas falhas, gralhas gritantes e personagens cujas personalidades vão sendo alteradas capítulo a capítulo e, quando se olha para os nomes dos escritores, não se percebe do porquê dessas incoerências (nem nada justifica), mesmo de falta de qualidade, saltando também à vista que eles não fizeram “pontos de situação” ao longo da obra.

Outro factor que não gostei foi o de, capítulo para capítulo, novos e mais enigmáticos pormenores vão surgindo, dando a clara sensação que um escritor queria deixar a sua marca com mais um condimento. Assim e às tantas, percebe-se a imensa dificuldade em começar a explicar factos e, para borrar ainda mais, muitos desses factos são estupidamente explicados, outros são socorridos de uma forma, digamos, sui-generis, outros ainda nem explicados são. E no final, parece que eles não se entenderam com o fim e resolveram escrever quatro finais, cada um mais ridículo que o outro, um grande disparate.

Penso que este tipo de exercício se torna engraçado e até seria bastante útil esta “troca” de escrita entre escritores, mas meus amigos, tem que haver alguma consistência nas intrigas criadas, tem de haver algum trabalho de revisão por parte de todos eles, e não de qualquer maneira, dando a sensação que o que interessava era publicar o livro, que a simples menção do nome destes escritores seria o bastante para vender e ser um sucesso. Não é, e penso mesmo que este é um projecto falhado e por culpa dos escritores e do editor.

Uma História Privada - Luísa Beltrão

Entre 1994 e 1997, Luísa Beltrão deu à estampa quatro volumes que intitulou “Uma História Privada”, respectivamente: “Os Pioneiros”; “Os Impetuosos”; “Os Bem-Aventurados” e “Os Mal-Amados”, tetralogia onde narra a história de uma família desde o início do Séc. XIX até aos nossos dias.

Iniciando com a partida de um jovem rapaz, em meados de 1800, para o Brasil em busca de uma vida melhor, Luísa Beltrão vai construindo uma narrativa poderosa e complexa, integrando-a sobremaneira nos variados acontecimentos políticos e sociais que vão surgindo. Assim, e quanto a mim um dos principais motivos de interesse desta tetralogia, acontecimentos relevantes como a Guerra Civil, a Revolução Liberal, o Constitucionalismo Setembrista, a Liderança de Costa Cabral, a Abolição da Escravatura, o Mapa cor-de-rosa, a Implantação da República, as Grandes Guerras, o Salazarismo, a vida nesse período que acabará por desencadear no 25 de Abril de 1974, época que abrange todo o 4º e último volume. Acontecimentos relatados de uma forma simples, mas pormenorizada e sobretudo relatados segundo a visão e mentalidade da época.

Embora as personagens sejam fictícias a partir do 3º volume, pois as personagens dos dois primeiros volumes são reais assentes em memórias da tia Graça, uma senhora com 100 anos, cuja mente está bem lúcida. Mas a escritora é bastante objectiva nos seus propósitos. Esta acaba por não ser uma mera história desta família, esta torna-se a História de qualquer família portuguesa, do que somos, da nossa mentalidade e do nosso destino.

Estamos perante uma reconstrução brilhante dos últimos duzentos anos da nossa História, no entanto não se pense que essa reconstrução é apenas de acontecimentos históricos.

O segundo grande motivo de interesse, é a reconstrução das mentalidades, da evolução das mesmas, sobretudo no que concerne à mulher, aliás, tenho a certeza que um dos grandes propósitos é a da expressão da evolução feminina na sociedade portuguesa, da emancipação das mulheres, até porque a maior parte dos grandes personagens desta tetralogia são, precisamente, mulheres.

A saga familiar de Luísa Beltrão é deveras tocante, contagiante e de leitura compulsiva. Facilmente deparamo-nos com situações familiares e situações que ouvimos aos nossos avós e pais. Tudo se desenrola de uma forma natural.

Os livros devoram-se com imenso prazer, ficando no fim um sentimento de saudade por termos de deixar aqueles personagens, mas e ao mesmo tempo, fica um sentimento de satisfação por termos conhecido em personagens vivas, a História recente do nosso país, dos nossos antepassados.

Uma obra-prima da literatura portuguesa, imprescindível, sem dúvida das melhores obras que li até à data e uma obra que nos ajuda a perceber quem somos e porquê o somos.

OPINIÕES POR TÍTULO - 377 Obras

1 2 3...

1001 Livros para Ler antes de Morrer

1808
 
2012 - Cenários para o Fim do Mundo 

22/11/63

25ª Hora (A)


A

Abaddon

Aconteceu Uma Coisa Engraçada a Caminho do Futuro...

Afonso, o Conquistador

Afonso Henriques - O Homem

Agincourt

Águia do Império (A)

Águia e os Lobos (A)

Alentejo Prometido

Alice no País das Maravilhas

Amigas para Sempre 

Alma das Pedras (A)

Amália, o Romance da Sua Vida 

Amanhecer na Rotunda

Amante de Lady Chatterley (O)

Amor em Tempos de Cólera

Ana Karenina

Anatomia do Segredo

Andorinhas de Cabul (As)

Anjo Branco (O)

Anjos e Demónios

Anjos Morrem das Nossas Feridas (Os)

Ano da Morte de Ricardo Reis (O)

Aparição 

Apóstolos da Fénix (Os)

Assassino do Crucifixo (O)

Asteca (Orgulho e Sangue Asteca)

Aventuras da Cadeira dos Desejos (As)

Aventuras Extraordinárias do sr. Pickwick (As) 

Aventuras de Gulliver (As)

Aventuras de Hackleberry Finn (As)


B

Bem Vindo ao Céu... Malandro

Benevolentes (As)

Bíblia de Barro (A)

Biblioteca da Morte (A) 

Biografia de Sherlock Holmes (A)

Bizâncio

Brisa do Oriente (vol 1)

Brisa do Oriente (vol 2)

Brumas de Avalon (As)


C

Caçadores de Mamutes (Os)

Cada Dia é um Milagre

Caim

Caixa (A)

Caminhos de Glória

Canção de Tróia (A)

Cândido

Canto dos Pássaros (O)

Cão como nós

Carteiro de Pablo Neruda (O) 

Carrasco do Medo (O)

Casa dos Budas Ditosos (A)

Catarina de Aragão

Catástrofe - 1914: A Europa vai à Guerra

Carl Sagan - Vida e Obra 

Cavaleiro da Morte (O)

Cem anos de Solidão

Chaplin, os Primeiros Anos

Cidade e as Serras (A) 

Ciência no Tempo dos Nossos Avós

Ciência Horrível - Planeta em Perigo

Cinzas de Ângela (As)

Clã do Urso das Cavernas (O)

Codex 632 (O)

Conspiração dos Antepassados (A) 

Conde de Monte Cristo (O) 

Conspiração Contra a América (A)

Cônsul Desobediente (O)

Contos de Agora e de Outrora 

Contos de Andersen 7

Cordeiro - O Evangelho Segundo Biff, o Amigo de Infância de Jesus Cristo

Cozinha Confidencial

Crime do Padre Amaro (O)

Crime e Castigo

Crónica de uma morte anunciada

Crónicas do Senhor da Guerra

Crónicas do Sul

Cruz de Portugal  

Culpa é das Estrelas (A)

Cura de Schopenhauer (A)

 


D

D. Amélia

D. Dinis - A Quem Chamaram O Lavrador

D. Manuel II, o Último Rei de Portugal

D. Maria II, Tudo por Um Reino

Da História da Destruição de Tróia

Darwínia

David Copperfield

De Ourique a Aljubarrota 

Demanda da Relíquia (Em)

Desgraça

Deus das Moscas (O)

Deus Veio ao Afeganistão e Chorou

Deuses e Legiões 

Deuses Enfurecidos

Diário de Bridget Jones (O)

Diário de uma Ninfomaníaca

Dispara, eu Já Estou Morto 

Dissolução

Diz-me Quem Sou 

Dom Quixote

Dona Flor e seus Dois Maridos

Drácula

Drácula - O Morto-Vivo 

Druidas

Duas Irmãs, Um Rei



E

Eça de Queiróz - A Vida Privada

Emigrantes 

Entender de Vinho

Ensaio sobre a Cegueira

Ensaio sobre a Lucidez

Entre os Assassinatos

Espada de Átila (A)

Este é o Reino de Portugal  

Estrada (A)

Evangelho do Enforcado (O)

Evangelho Segundo Jesus Cristo (O)

Equador

Eu, Cláudio

Eu, Lucifer

Eu, Maria Pia

Eurico, o Presbítero

Eusébio 

Expiação

Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa (As)



F

Fábulas de La Fontaine

Fahrenheit 451

Falha (A)

Fantástica Aventura dos Anões da Lua (A)

Farmácia Verde - O Herbário Prático

Felicidade Conjugal (A)

Fim do Império Romano (O)

Fio da Navalha (O)

Fio do Tempo (O) 

Filha de Deus (A)

Filha do Capitão (A)

Filhas do Assassino (As)

Filho de Deus

Filhos e Amantes 

Filipa de Lencastre

Física do Futuro (A) 

Físico (O)

Flashman, A Odisseia de um Cobarde 

Fogo Cruzado

Fogueiras de Deus (As)

Fúria Divina (A)



G

Gabriel García Márquez, Uma Vida

Generais (Os)

Grácia Nasi 

Grandes Esperanças

Grandes Mistérios

Grandes Vidas Breves 

Guerra e Paz

Guerra dos Trono (A)

Guia para Ficar a Saber Ainda Menos Sobre as Mulheres


H

Hamlet

Herança Bolena (A)

Herói Português da I Guerra Mundial (O)

Histórias Bizarras de um Mundo Absurdo

Histórias de um Portugal Assombrado (1)

Histórias do (A)Mar

Histórias Recambolescas da História de Portugal

Homem Corvo (O) 

Homem de Constantinopla (O)

Homem Duplicado (O)

Homens do Führer. A Elite do Nacional Socialismo 1939-1945 (Os)

Homens que Odeiam as Mulheres (Os)

Hora H

Hora da Liberdade (A) 

Hussardo (O)


I

Ilha do Final do Tempo (A)

Ilha do Tesouro (A)

Impacto

Império de Areia

Império dos Pardais (O)

In Sexus Veritas
 
Indesejado (O)  

Inferno nos Açores

Inverno do Mundo (O)

Isabel I de Inglaterra e o seu Médico Português

Insaciável Homem-Aranha (O)

Ivan, o Terrível


J

Jack, o Estripador

Jane Eyre

Jardin do Éden (O)

Jardins de Canela

Jogada Ilegal

Jogador (O) 

Jogo do Anjo (O) 

John Carter



K

Kafka à Beira-Mar 

Kill Obama



L

Labirinto Perdido (O) 

Ladrão de Túmulos (O)

Linguagem Corporal no Trabalho (A)

Lista de Schindler (A)

Livro de Cale (O)

Livro dos Mosquetes (Os)

Lixo

Lolita

Longa Caminhada (A)

Longe do Meu Coração 

Lugares Escuros

Luz e Sombra

Luz Miserável (A)


M

Macbeth

Madame Bovary

Madrugada Suja

Máfia no Futebol

Magia das Estrelas (A)

Mago (O) - Aprendiz

Maias (Os)

Mais Bela História da Terra (A)

Manhã Submersa 

Maníacos de Qualidade

Mão do Diabo (A) 

Máquina do Tempo

Mar que a Gente Faz (O) 

Marquesa de Alorna

Médico de Córdova (O)

Mein Kampf - História de um Livro

Memória das Minhas Putas Tristes

Memórias das Estrelas Sem Brilho

Memórias do Livro (As)

Memorial do Convento

Mercador de Livros Malditos (O) 

Meridiano de Sangue

Messias (O)

Metamorfose (A)

Meu Ano Mágico (O)

Meu Programa de Governo (O)

Meus Problemas (Os)

Meu Testemunho Perante o Mundo (O) 

Mil e Uma Noites (As)

Miseráveis (Os)

Mistério de Colombo Revelado (O)

Moby Dick

Monge que Vendeu o seu Ferrari (O) 

Monte dos Vendavais (O)

Mulheres de D. Manuel (As)

Mulheres de Mozart (As)

Mulheres do Meu Pai (As)

Mulheres que Amaram Demais

Mundo é Curvo (O)

Museu Britânico Ainda Vem Abaixo (O)


N

Na Noite em que Morri

Nação Crioula

Não Fomos Nós Dois 

Não há lugar para divorciadas

Não Nos Roubarão a Esperança 

Não Sei Nada Sobre o Amor

Natal do sr. Scrooge

Nero

Noite do Tamarindo (A)

Noiva Prometida (A)

Nome da Rosa (O)

Nossa Senhora de Paris

Novos Mistérios de Sintra (Os)

Número de Deus (O)


O

Oficina dos Livros Proibidos (A)

Olhai os Lírios do Campo

Oliver Twist

Opereta dos Vadios (A) 



P

Paixão em Florença

Papisa Joana (A)

Pecado e a Honra

Pecado de Darwin (O)

Pêndulo de Foucault (O)

Pequenas Memórias (As)

Pequeno Livro do Grande Terramoto (O)

Perfeito Cavalheiro (O) 

Perfume (O)

Perfumista (O)

Perito (O)

Pilares da Terra

Planícies de Passagem

Ponte sobre o Rio Drina (A)

Por Ti Resistirei 

Portas de Fogo

Portugal, Hoje - O Medo de Existir

Portugal Rating AAA

Prémio (O)

Priorado do Cifrão (O) 

Primo Basílio (O)

Processo das Bruxas de Salem (O)

Profissão de Carrasco (A)

Proibido


Q

Quando os Lobos Uivam

Quando Nietzsche Chorou

Que o Dia Deve à Noite (O) 

Queda dos Gigantes (A)

Questão Finkler (A) 


R

Rapariga que Adorava Tom Gordon (A)

Rapariga no Comboio (A) 

Rapariga que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo 


Rapaz Perdido (O)

Rebecca

Rebelde - Crónicas de Starbuck (I)

Reflexões do Diabo

Rei Lear

Relíquia (A)

Remorso de Baltazar Serapião (O)

Retalhos da Vida de um Médico - 1º Vol.

Retrato de Dorian Gray (O)

Rio das Flores

Roma

Romeu e Julieta

Royal Flash


S

Saga de um Pensador (A)

Sangue de Cristo e o Santo Graal (O) 

Sangue dos Inocentes (O)

Se Isto é um Homem

Segredos Obscuros

Segunda Guerra Mundial (A)

Selva (A)

Senhores do Norte (Os)

Servidão Humana

Serviçais (As)

Sétimo Selo (O) 

Shalimar, o Palhaço

Símbolo Perdido (O)

Sinos do Ano Novo (Os)

Sociedade Medieval Portuguesa (A)

Soldados de Honra

Solitude, Pequenas Histórias de Grandes Viagens 

Sombra do Vento (A)

Sputnik, Meu Amor

Stonehenge

Suttree


T

Tempo e o Vento (O) - O Continente

Terapia

Terra Bendita

Terra Fria 

Terror (O)

Terroristas 

Tigre Branco (O)

Thibault (Os)

Traidor

Tratado de Vampirologia de dr. Abraham Van Helsing

Três Mosqueteiros (Os)

Trilogia de Nova Iorque

Trilogia Suja de Havana 

Trono e o Altar (O)

Trump - Como Enriquecer


U 

Última Duquesa (A)

Último Reino (O)

Último Segredo (O) 

Último Távora (O)

Um Amor em Tempos de Guerra

Um Crime no Expresso do Oriente

Um Deus Desconhecido (A)

Um Estranho Numa Terra Estranha

Um Instante ao Vento

Um Mundo Sem Fim

Um Passo à Frente

Uma Campanha Alegre

Uma Criança Chamada Coisa

Uma História Privada

Uma Noite em Lisboa 

Uma Vida Francesa


V

Vale dos Cavalos (O)

Vaticanum 

Vendedor de Sonhos (O)

Vendedora de Cupidos (A) 

Vento dos Khazares (O)

Verdadeira Peregrinação (A)

Vida de Pi (A)

Vida num Sopro (A)

Vida Sexual de Catherine M.

Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas da História de Portugal 

Vinhas da Ira (As)

Viver para Contá-la

Viriato, o Filho Rebelde

Viúva (A)

Vizinho (O) 

Voz da Terra (A)


W

Wayward Pines (Trilogia)