domingo, 25 de junho de 2017

Trump – Como Enriquecer – Donald J. Trump



Quer saber como se faz pão? Pergunte a um padeiro!

Quer saber como se tornar um milionário? Pergunte a um milionário!

É com esta premissa que o polémico presidente dos Estados Unidos da América inicia o seu best-seller “Como Enriquecer”, editado em 2004 e lançado em 2016 pela Casa de Letras.

À semelhança de tantos livros de Auto-Ajuda, também este aborda a temática na perspectiva de ajudar a ser, dando dicas de como fazer e como agir e, se achei em vários capítulos que Trump utiliza o livro como uma espécie de auto-elogio constante, algo como “vejam como sou bom”, “vejam como sou um espectáculo”, “vejam como sou o maior”, na prática ele vai de encontro aquilo que apregoa e aconselha durante o livro todo, pois um dos principais conselhos é: “Fale às pessoas sobre o seu sucesso ou elas provavelmente nunca ouvirão falar de si”, e é isso que ele faz com este livro.

Em todo o caso e não sendo eu um apreciador do estilo de Trump, considero-o sim um “monstro” nos negócios face ao pouco que sabia, foi com alguma curiosidade que decidi avançar para a leitura deste livro, até porque confesso que me interessa os conselhos de quem singra nos negócios e, uma rápida leitura inicial, constatei ser os capítulos curtos e concisos e isso torna-se em mais um conselho ao longo do livro: “Seja breve, rápido e directo”.

Pois bem, quer se goste ou não do estilo de Trump, o certo é que o homem construiu um império e mais assombroso é perceber que foi um império na base da sua capacidade de trabalho, tornando-se cansativo a forma empreendedora e assertiva como ele vive o seu dia-a-dia, não parando um minuto, de segunda a domingo, trabalhando sem parar, pois e conforme ele diz logo de início: “Um dos principais segredos para se enriquecer, é gostar de trabalhar e começar a trabalhar muito cedo”.

Pois bem, depois de uma fase inicial onde ele dá vários conselhos práticos, tais como: “Seja um General”, “Concentre-se no essencial”, “Mantenha o Foco”, “Conserve o Dinamismo”, “Arranje um assistente fora-de-série”, “Faça perguntas a si próprio”, “Seja prático, o bluff não serve de nada”, “Ideias sim, mas boas”, “Privilegie a competência e não o cargo”, “Pense e viva em grande”, “Mantenha a porta aberta”, “Seja Tenaz”, “Torne-se uma marca e publicite-a”, “Siga o seu instinto”, “Seja um optimista”, “Esteja atento aos pormenores”, “Pense positivo”,“Tenha um ego”, “Os segredos da negociação”, “Seja Paciente”, entre outros, ele começa a dissertar sobre o seu património e como o gere e torna-se cansativo perceber o dinamismo que aquele homem possui, estando atentos aos ínfimos pormenores ao ponto de berrar com o chefe da manutenção do seu edifício por perceber que determinadas maçanetas não estão devidamente polidas.

E é isso que sobressai em todo o livro. Trump é um homem atento a todos os pormenores e que não descura, nunca, nada, absolutamente nada ele relativiza. Está atento a tudo e é em pormenores que ele consegue grandes negócios e uma fortuna monstruosa para além de ter sido nos pormenores que foi construindo uma imagem pública que o permitiu candidatar-se e ganhar as eleições para a presidência dos Estados Unidos da América.

Fiquei com a clara impressão que desde os finais dos anos 90 que Trump começou a criar a ideia que podia ser Presidente dos E.U.A. e, rodeado de gente altamente especializada e escolhida a dedo, começou a construir uma imagem séria de negociados tenaz que sabe ser generoso mas que faz da eficiência e do rigor uma das suas maiores armas e penso que isso foi decisivo para a sua eleição.

Pese embora tenha percebido do estilo algo eleitoralista deste livro, confesso que a minha ideia de Donald Trump mudou um bom bocado, pois cheguei à conclusão que muitas das ideias dele vão de encontro às minhas e ao que é necessário para se ser bem sucedido, sobretudo a ideia chave que é no trabalho tenaz e persistente que se pode construir algo em grande, algo que efectivamente concordo e que procuro por em prática.

Seja um general
Generais motivam os seus soldados, independentemente da patente. Aprenda a ajustar os seus métodos às personalidades das pessoas que o cercam.


Mantenha o foco
Nos momentos bons, trabalhe como se estivesse no começo da empresa ou da sua carreira, quando as coisas não eram tão simples. Não se deixe levar pela tranquilidade passageira.


Aproveite seu momento
Não importa quanto sucesso tenha obtido ou quão bem você acredita conhecer os seus negócios, mantenha-se vigilante sobre as evoluções no seu campo de trabalho. Não acredite que é possível parar de trabalhar por muitos anos e voltar com a mesma capacidade. Aproveite enquanto você estiver no auge para dar o melhor de si.


Arrume uma óptima assistente
Tenha sempre pessoas de confiança ao seu redor, mas procure, especialmente, uma assistente de qualidade. Essa pessoa poderá facilitar muito a sua vida.


Lembre-se que a empresa é SUA
Trate a sua empresa como um organismo vivo e cuide de sua saúde. Lembre-se que tudo o que acontece ali envolve você. Livre-se de "células cancerígenas" e permita o desenvolvimento de células benéficas.


Não hesite, nunca
Hesitação demonstra insegurança e falta de confiança em si mesmo e naquilo está a fazer.


Faça duas perguntas a si mesmo
"Existe alguém capaz de fazer isso melhor do que eu?" Responder a essa questão é conhecer-se melhor e entender a sua concorrência. E a segunda: "O que eu estou fingindo não ver?" Todos podemos ser envolvidos por um momento de euforia, mas mantenha os pés no chão e preste atenção a todos os detalhes.


Blá-blá-blá tem limite
Pode enganar as pessoas por algum tempo a fim de esconder suas fraquezas, mas jamais se pode enganar a si próprio.


Toda contratação é uma aposta
Algumas pessoas são fantásticas em entrevistas de emprego, mas apenas em entrevistas. Não existe uma fórmula exacta para boas contratações. Não avalie as pessoas apenas por experiência e/ou credenciais. Busque profissionais com senso de responsabilidade, comprometimento com a empresa. Pessoas que não se contentem em fazer o mínimo aceitável. Encontre gente que se orgulha do que faz e que possua ambição profissional.


Ideias são bem-vindas, mas certifique-se de que é a ideia certa
Seja diligente e mantenha a porta aberta para que os seus funcionários possam sugerir ideias. A decisão final é sua, tenha certeza das ideias que vão seguir adiante.


Foco no talento ao invés do cargo
Você pode se surpreender com o material humano disponível na empresa. Não subestime as pessoas, pois elas são multifacetadas. Permita que elas trabalhem em áreas e posições em que possam render mais.


Administre as pessoas e não as tarefas
Pessoas têm maneiras diferentes de alcançar grandes resultados. Entenda como cada um actua melhor.


Deixa a porta sempre aberta
Todos precisamos estar atentos ao que acontece fora de nossa zona de conforto. Estamos ligados às pessoas de diversas maneiras: Social, comercial e politicamente. Procure ouvir e conhecer tudo e todos que estão dentro ou fora do seu campo de actuação.


Tenha pensamentos grandes e viva em alto nível
As oportunidades estão sempre aí. Se pensar pequeno, poderá perdê-las. Se for para pensar, pense em grande. Se for para viver, viva em grande.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

Andorinhas de Cabul (As) – Yasmina Kahdra



Eu: Chaval, acabei de ler um livro brutal, poderoso, espantoso!

O Outro:Bah, não gosto de livros, aborrecem-me, fazem-me sono!

Eu:Não sejas ignorante chaval, em vez de passares o tempo a olhar para a bosta do telemóvel e a ver vídeos ou a jogar, experimenta passar esse tempo a ler um livro, vais ver que ficas menos ignorante…

O Outro:Para quê que eu quero ser menos ignorante?

Eu:Olha, por exemplo, para saberes responder a algumas perguntas daqueles concursos televisivos que tanto gostas. Assim, pelo menos até podes ficar a saber que o Vesúvio é um vulcão, por exemplo”.

O Outro:Bah, tretas!

Eu:Pois é chaval, já vi que a ignorância é um estado de espírito

O Outro: Um quê?

Eu:Deixa. Mas posso pelo menos contar-te um pouco do livro que acabei de ler e que se tornou um dos meus preferidos?

O Outro responde com cara de enfado sacando da bosta do telemóvel de 500€, “Ok, conta lá!

Eu:As andorinhas de Cabul, de Yasmina Kahdra. Um livro muito fininho, que se lá num ápice, eu demorei umas 5 horas a lê-lo, mas que possui várias e poderosas mensagens, sobretudo uma narrativa pungente sobre uma país que durante algum tempo teve sob o domínio do fundamentalismo religioso que, muito em voga está nos nossos dias devido a essa praga do estado islâmico”.

O Outro:Hum, hum…”, disse sem tirar os olhos da porcaria do telemóvel.

Eu, continuei: “Em menos de 200 páginas, Yasmina, que é um dos grandes escritores, narra a história de quatro personagens que vivem Cabul sob o regime de terror dos Talibans, sobretudo o romance centra-se na horrível vida da mulher afegã que, ostracizada por um regime violento e fundamentalista, tenta sobreviver e manter um pouco de dignidade. No entanto, ao longo da obra, Kahdra, vai-nos dando uma perspectiva da realidade e deparamo-nos com algo que está muito além do que era noticiado na altura, pois a “pedra de toque” dessa sociedade é logo sublinhada no início quando uma mulher é publicamente apedrejada até à morte porque cometeu adultério. Não se sabe bem se ela foi a adultera ou se o adultero foi o homem que foi descansado à sua vida, mas aqui, quem sofre as consequências é a mulher, assim como consequências de tudo. Uma parte que me impressionou, é quando um dos protagonistas consegue convencer a sua inteligente e intelectual mulher, que ele efectivamente ama, a dar um passeio com ele. Ela resiste, pois antes do aparecimento do regime Taliban, ela havia sido uma brilhante advogada e agora estava condenada à vida doméstica e a andar obrigatoriamente de Burka sempre que saísse, algo que ela se recusava. Mas enfim, o marido insiste, insiste e ela lá acede. No entanto a meio caminho, eles são mandados parar por um Taliban que obriga o marido a ir para uma mesquita ouvir a prelecção de um lidei religioso qualquer, enquanto a mulher fica à espera dele sob um sol escaldante e sob uma temperatura de mais de 40ºC. Bom, é arrepiante a descrição que se segue e dá bem a representação da violência e da forma inumana como as mulheres e inclusive os homens eram tratados."

O Outro: Hum, hum…”, disse sem tirar os olhos da bosta do telemóvel.

Eu: Embora o título seja uma analogia às mulheres afegãs, que ocultadas atrás das burkas que as condenam a viver como Nuvens de Andorinhas, penso que o autor vai muito mais longe e isso é algo que ressalta nas últimas páginas, quando um desvairado Atiq, procura por toda a Cabul a esposa, ela própria entretanto executada no estádio diante de centenas de pessoas que lá se dirigem como se fossem a um espectáculo desportivo. Outro drama que o autor expõe é, quando logo a seguir a essa execução, narra, como se fosse algo normalíssimo, um grupo de crianças que se entretém simulando as execuções diante do beneplácito e sorridente grupo de pessoas que assistem enlevados…” continuei: “Em suma, Yasmina Kadra, expõe de uma forma clara e lúcida a tragédia de uma sociedade dominada pelo fundamentalismo religioso que esmaga o próprio povo em prol de algo complemente insano que eles próprios não conseguem explicar, pois aqui e ali o autor vai pintando algumas considerações que nos permitem retirar essas conclusões."

O Outro:Brutal…

Eu:Sem dúvida, um livro brutal, pungente e trágico que aconselho a todos que gostem de um bom livro.

O Outro: Não pah, brutal porque já saiu uma actualização desta app”, disse virando o excremental aparelho para mim.

Eu, de boca aberta, disse: “Vai-te catar, ignorante

Ele riu-se e lá continuou a dança dos polegares.

“… Esse nunca vai saber que o Vesúvio é um vulcão, muito menos onde fica…”, pensei, abandonando o local e deixando-o entregue ao vício insciente da sociedade ocidental.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Mercador de Livros Malditos (O) – Marcello Simoni



Há livros que, sinceramente, não consigo compreender o porquê de tanta consideração. Se até entendo o trabalho de divulgação da editora, pois o que a editora pretende é unicamente vender o produto, pois é disso que um livro é, não compreendo a boa crítica de simples leitores, como eu, acerca de livros que são de facto maus, e não me estou apenas e referir à história inerente, mas a todo o seu conjunto, qualidade de escrita, argumento, etc.

Este “Mercador de Livros Malditos” é um daqueles livros escrito “a martelo”, mal construído, mal escrito e com um défice de qualidade enorme.

Confesso que a sinopse despertou a minha curiosidade, porque, na mesma, é comparado a dois livros que adorei: “O Nome da Rosa” de Umberto Eco e “Pilares da Terra” de Ken Follett.

Logo aí, considero, há dois erros por parte da editora: comparar qualquer obra a livros acima referidos, faz com que a nossa exigência, a nossa expectativa fique de tal forma elevada que acaba por se tornar indissociável a constante comparação à medida que vamos lendo o livro em causa.

Mas ok, possuo também experiência suficiente para não me deixar iludir, mas, que “diabo”, também nunca esperei que este livro fosse tão fraco ao ponto de me sentir irritado à medida que o ia lendo.

Do “Nome da Rosa” e “Os Pilares da Terra” estamos assim conversados, pois não tem quase nada para comparar e o quase é porque este “Mercador” se situa de facto na época medieval e tem como pano de fundo abadias obscuras e misteriosas. Aliás se tivesse 10% da qualidade da escrita, da profundidade, mestria ou do trama, sinceramente, já me consideraria satisfeito.

A história até começa bem: conhecemos Ignázio de Toledo e desde logo criamos uma certa empatia com o personagem devido ao seu trabalho.

Com um obejctivo em mente e sob a perseguição de um vilão ao estilo de Dumas de 3ª categoria, Ignázio enceta uma jornada em busca de um livro procurado incessantemente por alguém muito poderoso e que está disposto a tudo para o possuir. No entanto é risível o que se vai passando nessa jornada, mais se assemelhando a um passeio de escuteiros num domingo do que algo importante e vital para o desenrolar do trama, pois as descrições dos encontros e desencontros, os mistérios criados, são tão caricatos e previsíveis, que dei por mim a pensar se se tratava de facto de um thriller histórico ou um livro cómico com o objecto de satirizar.

Desse modo, a partir dos primeiros capítulos e até ao fim, os acontecimentos são previsíveis, o desenrolar da acção e a forma como termina o livro apenas me veio despertar da sonolência em que caí, isso sem mencionar do facto de ter achado os capítulos tão curtos que, a meu ver, impedem que nos liguemos à história, ou seja, são capítulos tão curtos, situações tão rápidas e narradas de uma forma tão desgarrada, que quando começamos a ver, já passou…

Isso sem falar na enormidade de capítulos totalmente desnecessários que em nada contribuem para o desenrolar da acção. Sinceramente fiquei com a sensação que o primeiro esboço do livro deve ter tido uma 50 páginas (se tanto), mas e por ser demasiado pequeno, o autor teve de inventar capítulos, situações para prolongar o enredo, pois assim não seria um romance mas sim um simples conto.

De suspense, conspirações e afins, vale zero, pois é tudo tão superficial e evidente, que o livro se tornou num suplício e só o terminei porque é daqueles livros que se lê muito rápido tal a pequenez dos capítulos e de páginas em branco que acabam por contar numericamente.

Em todo o caso admito que quis entender, sem o ter conseguido, onde raio estaria a qualidade deste livro ao ponto de o ter feito receber alguns prémios literários italianos e ser considerado Fenómeno Internacional. Pois!

Porém, pasmem-se, fiquei surpreendido com o final e é por isso que julgo ter sido uma obra inicialmente muito curta, pois é notório que o autor pensou no argumento, mas faltou-lhe qualidade para saber prolongar em número de páginas um trama com principio, meio e fim minimamente coerentes.

Embora se leia bem, é um livro desinteressante, mal construído, mas onde o autor até demonstra estar na posse de conhecimentos da época em questão. No entanto, senhores das editoras: não enganem os leitores. Comparar este livro a pesos pesados como o “Nome da Rosa” ou “Pilares da Terra” é ofensivo à inteligência dos leitores e uma falta de respeito para todos, leitores e escritores.

Em todo o caso é a minha opinião que foi influenciada pela expectativa inicial, estando convicto que é um livro que agradará a muita gente.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Assassino do Crucifixo (O) – Chris Carter



Embora o género policial não faça parte das minhas preferências, gosto, de vez em quando, de ler um livro desse género, preferencialmente daqueles que me façam pensar e cujo mistério seja apenas descrito nas últimas páginas.

Este livro, O Assassino do Crucifixo que marca a estreia de Chris Carter, um Psicólogo com especialização em comportamento criminal, vai por inteiro de encontro aquilo que pretendo, sendo que, é muito mais do que um mero romance policial e sim thriller, pois é uma obra que, para além de introduzir o habitual ritmo do romance policial: "O(s) Crime(s), O(s) Investigador(s), a investigação e a posterior demonstração do culpado", insere factos muito violentos que o difere do mero romance policial.

Como premissa temos o corpo de uma mulher que é encontrado numa cabana abandonada no meio de uma floresta. No entanto quando nos é descrito o cenário do local do crime, constatamos que esse crime foi efectuado com tal brutalidade que deixa os detectives indispostos e incrédulos com o cenário à sua volta. Sabemos desde logo que a vítima foi torturada ate à morte e a pele da sua cara arrancada ainda com a vítima viva, e mais, na parte de trás do pescoço é encontrada tatuada uma cruz dupla que o detective Robert Hunter reconhece como a assinatura de um psicopata conhecido pelo “Assassino do Crucifixo”, porém há um pormenor de vital importância: Esse psicopata já havia sido apanhado e executado dois anos antes…

Quem poderá estar pode detrás deste crime horrendo?

Um imitador?

Ou será que o homem que a polícia apanhou dois anos antes estava inocente e agora o assassino regressa em força?

São essas as duas questões preliminares que se vão colocar aos detectives e a partir daí dá-se inicio a uma investigação cujo ritmo nunca abranda até, obviamente, ao epilogo final onde as respostas, a estas e outras questões nos são dadas.

Assente na sua formação e experiência profissional, o autor traça um perfil do serial killer muito interessante que, para além de nos surpreender, tem o condão de abordar algo que muitos autores não o fazem (talvez por desconhecimento), que é a psique, o intimo desse psicopata e os motivos que o levam a cometer tais atrocidades. Para além disso, o autor sabe construir uma série de personagens, a começar pela principal que é o investigador Robert Hunter, muito interessantes e bem conseguidas, ou seja, personagens intensas que nos dão a sensação de serem reais. Fiquei assim convencido que o autor se baseia em pessoas que efectivamente conheceu na sua profissão, pois todas elas "soam" a autenticas, assim como os próprios casos, pareceu-me que não são meros casos ficcionais, ou seja, não me admirava nada que de facto, e na realidade, tivesse sucedido crimes semelhantes.

Com capítulos curtos (o livro lê-se de uma forma muito rápida), o autor nunca deixa esmorecer o interesse, salpicando, constantemente factos interessantes que vão adensando mais o mistério, tornando-o num livro daqueles que desejamos terminar só para perceber que se encontra por detrás dos crimes que, obviamente, se vão sucedendo de uma forma terrível e narradas ao pormenor, ou seja, é daqueles livros em que o autor nos coloca no cenário dos crimes como assistentes na primeira fila, uma espécie de estar no cenário de um filme.

O por falar em filme, o estilo do autor ou a técnica é a de um guião de cinema, com intervalos muito curtos, narrativa concisa e objectiva, o autor, embora acabe por tocar no submundo da prostituição e do crime organizado, nunca se perde com floreados que não vão dar a lado nenhum. Ou seja, toda a narrativa se encaixa ao longo do romance como um puzzle até chegar ao desfecho apoteótico que pode surpreender muitos leitores.

Embora tenha gostado do livro, não o posso considerar excepcional devido a uma série de factos: primeiro sensivelmente a meio do livro o autor dá-nos uma pista que me levaram a acertar no criminoso. Depois porque há um personagem, que não vou dizer qual é, que é suposto ter experiência mas que na prática se revela um iniciado e que, a meu ver, traz muito pouco ao livro e depois porque considero que a descrição inicial de Robert Hunter fica um pouco aquém da sua capacidade real de investigador, ou seja, é descrito como um génio, um sobredotado da força policial, mas depois anda “à nora” do principio ao fim detectando o criminoso por pormenores algo burlescos.

Mas enfim, trata-se do primeiro romance deste autor e também não é justo afirmar que não se trata de um bom livro. Pelo contrário, é um excelente thriller que nos prende da primeira à ultima página e cujo epilogo surpreende.

Brevemente o vídeo desta resenha.